miércoles, 16 de mayo de 2018

Debías estar aquí junto a mis labios


Debías estar aquí junto a mis labios
para compartir contigo esta amargura
de mis días quebrados uno a uno.

En tu rostro vi la tierra limpia.
Tan sólo en tu rostro. En nadie más.

(Eugénio de Andrade: “Lamento de Luís de Camões na morte de António, seu escravo”, en Escrita da Terra. Homenagens e Outros Epitáfios. Pref. Paula Morão. Porto, Assírio & Alvim, col. Obras de Eugénio de Andrade, 8, 2014. Imagen: Underwater Girl de Jacob Sutton)

(Devias estar aqui rente aos meus lábios/ para dividir contigo esta amargura/ dos meus dias partidos um a um// --Eu vi a terra limpa no teu rosto,/ só no teu rosto e nunca em mais nenhum.) (Versión de FN)